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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Vamos plantar flores

As abelhas estão sumindo

Síndrome misteriosa faz bilhões de abelhas abandonar suas colmeias e desaparecer sem deixar rastros. Mas os cientistas acabam de descobrir qual é o motivo.
Tudo está bem na colmeia. Milhares de abelhas, cada uma com sua função, trabalham numa harmonia perfeita. Até que algo estranho acontece. Sem motivo aparente, as abelhas surtam: simplesmente abandonam a colmeia, deixando para trás suas larvas, para nunca mais voltar.
Ninguém sabe para onde elas foram, nem se ainda estão vivas - pois não há rastros ou insetos mortos nos arredores da colmeia. É um comportamento muito estranho, eque está se espalhando pelo mundo: as abelhas de 10 países já apresentaram essa síndrome, que foi batizada de colony collapse disorder (“desordem de colapso de colônia”, em inglês).

Só nos EUA, o lugar mais afetado pela doença, 50 bilhões de abelhas sumiram, esvaziando 40% das colmeias do país. Os primeiros casos da síndrome apareceram em 2006, mas só agora os cientistas descobriram o que está fazendo as abelhas fugir. “É uma infecção por vírus, que danifica o código genético dos insetos”, afirma a entomóloga May Berenbaum, da Universidade de Illinois.
Esse vírus, que ainda não foi isolado, causa modificações em 65 genes dos insetos – e isso é que estaria provocando o comportamento bizarro das abelhas, cujo desaparecimento pode ter consequências muito mais graves do que a falta de mel. As abelhas são responsáveis pela polinização de mais da metade das 240 mil espécies de plantas floríferas que existem no mundo. Sem as abelhas, essas plantas não teriam como se reproduzir e sobreviver. Se um mundo sem abelhas já seria ruim, imagine sem flores.

O sumiço das abelhas Há poucos anos, colônias inteiras começaram a desaparecer sem deixar vestígios, na China, nos Estados Unidos e no Canadá. Isso é resultado do uso indiscriminado de pesticidas e, também, de sua alimentação

Planeta Sustentável01/10/2009 Gisela Heymann, de Paris – Edição : Mônica Nunes

Todo mundo sabe que abelhas produzem mel, um dos alimentos mais nutritivos e gostosos que se pode encontrar, além de geléia real, cera e própolis. Mas pouca gente conhece uma outra função desses insetos, essencial para a vida na Terra. Em seu vai e vem cotidiano em busca de alimento, as abelhas são responsáveis por transportar o pólen das flores e com isso fecundam as plantas, espalhando vida por onde passam. 80% do meio ambiente vegetal é fecundado pelas abelhas. Graças a elas, 20 mil espécies ameaçadas de extinção ainda resistem. E mais: quase metade da nossa alimentação depende exclusivamente do trabalho incessante das operárias, que chegam a percorrer 3 quilômetros a cada vez que deixam suas colméias. Elas são cerca de 40 mil por colônia, em torno de uma única rainha ou, no máximo, duas.

CAÇA AOS INDÍCIOS
Há 80 milhões de anos as abelhas cumprem diariamente a tarefa de polinizar plantas. Elas sobreviveram às mudanças climáticas e se adaptaram a quase todos as regiões do mundo. Isso até poucos anos atrás. O fenômeno ocorre em várias regiões do mundo: da China aos Estados Unidos e Canadá, passando pela Europa e até na América Latina. De 30% a 80% das colônias simplesmente sumiram nos últimos dois anos. Diante do que pode se tornar uma catástrofe ambiental, especialistas deram uma de Sherlock Holmes e saíram à caça do maior número possível de informações para explicar as mortes suspeitas. Partindo de uma certeza: a de que as mudanças ambientais provocadas pela ação do homem estão envolvidas nisso.

PRODUTOS QUÍMICOS
Os apicultores, criadores de abelhas, foram os primeiros a alertar para a mortalidade anormal dos insetos. Eles acusam agricultores de utilizar grandes quantidades de pesticidas, para proteger suas plantações. Os produtos químicos seriam, então, os assassinos. Mas cientistas também descobriram que as colônias estavam sendo atacadas por vírus e fungos, além de um parasita chamado Varroa destructor, uma espécie de ácaro, que tem o pouco simpático apelido de "vampiro de abelhas". Até agora, cada um defendia sua teoria, mas ninguém conseguia uma prova definitiva contra os suspeitos.

GANGUE DE PREDADORES
Há poucas semanas, cerca de dez mil cientistas e apicultores se reuniram na França para comparar suas teses. E chegaram à seguinte conclusão: todos os suspeitos têm culpa no cartório. As abelhas da espécie Apis mellifera estão sendo intoxicadas aos poucos pela forte concentração de pesticidas encontradas nas flores. Enfraquecidas, elas não conseguem mais se defender contra vírus, fungos e parasitas e perdem a luta contra os predadores com mais facilidade do que antes. Mas a alimentação das abelhas também contribui para sua fragilidade. Devido à agricultura intensiva, elas não encontram mais tantas variedades de flores pelo caminho. Seu organismo fica debilitado, assim como uma pessoa que só come macarrão ou abobrinha em todas as refeições de sua vida. Esses fatores se combinam de formas diferentes, de acordo com a região do mundo que se estuda, e o problema se agrava quando há escassez de água, devido à seca.

PLANTAR MAIS, DESTRUIR MENOS
Resta saber o que o homem vai fazer a partir de agora para tentar salvar a espécie. O grande físico Albert Einstein, pai da teoria da relatividade, teria afirmado, já nos anos 40, que a humanidade não resisitiria caso as abelhas deixassem de existir. Sem transporte de pólen, nada de fecundação das plantas e sem plantas, não há como alimentar o mundo. Você sabia que em 2050 seremos mais de 9 bilhões de pessoas vivendo no mesmo planeta ? O desafio será então cultivar mais, destruindo menos o nosso meio ambiente.

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